segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Não jogo mais!

Quando a gente pensa que está começando a entender o mecanismo o negócio anda pra trás e você volta à estaca zero. É patético como o ser humano inventa a cada dia formas mais abstratas de jogos interpessoais.

Outro dia me senti nua, patética, despida, completamente desarmada, ali, entregue e não recebi nada em troca. Entendi então que era hora de deixar passar, mas desde então nenhum dos meus atos condisseram com a minha decisão de deixar passar! Ah, mas que bom que ondas verdes de mares distantes estão chegando pra me tirar desta energia, me levar pra bem longe, me trazer de volta ao eixo.

O fato é que estamos todos brincando. Eu fico aqui num malabarismo pra manter algumas possíveis rotas de fuga disponíveis, enquanto sonho em vão com uma pessoa querida, mas que vive sua vida normalmente sem que a minha presença faça alguma diferença. Uso destas pessoas como esta pessoa usa de mim, para sentir uma massagenzinha no ego.

Não jogo mais! Parei de usar, não quero mais usar ninguém que não consinta ser usado. A partir de hoje expandirei meu conceito de sinceridade e honestidade em 100% dos momentos até para estes momentos. As pessoas saberão exatamente onde estão entrando em minha vida, porque é digno, porque é muito melhor uma relação aberta desde o início de as consequências de algo assim do que este tipo de jogos doentios que as pessoas fazem entre si esperando sempre alguém melhor, alguém mais apropriado, alguém mais parecido com algum príncipe ou princesa.

Cansei. E parei. Para 2011, tudo às claras!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ando vazia de palavras... preciso me preencher delas para poder esvaziar novamente.

Enquanto isso algo para inspirá-los, assim como sempre me inspiro.


Aquela estrela azul do céu
Do céu do meu balão
De antigamente
Sumiu de repente
Da noite de São João

Azul do céu na noite só
Papel de seda faz
Balão era isso
Magia, feitiço
Milagre que não tem mais

Papel de seda azul e vermelho e amarelo
E verde a cintilar
Translúcido vitral
O balão se elevava, súbito pairava lá no ar
Ser sobrenatural

Aquela estrela azul do céu
O tempo carregou
O tempo não falha
O tempo atrapalha
O tempo não tem pudor

A fila anda, a vida vai
Propondo a mutação
Então de repente
Ficou diferente
A noite de São João



terça-feira, 16 de novembro de 2010

Colocando as idéias em prática.

Acreditem ou não estou escrevendo minha primeira peça de teatro. Finalmente, após um monte de tentativas frustradas, minha primeira peça começa a tomar forma em palavras. Olha só que bonito!

Ando assim, simplesmente inspirada. Minhas músicas andam mais ritmadas, porque estou conseguindo respirar e deixar o ritmo fluir. Minha voz mais melodiosa, mais segura. As palavras, andam todas se amontoando dentro de mim, gritando para sair e andam saindo. Seja na peça, seja em diário, seja em palavras soltas. Elas estão saindo, transformando em algo lindo, em nada, em mim.

É realmente magnífico que eu possa ser artista. Que eu possa exercitar minha arte, que eu possa vivê-la. Não sei o que seria de mim se não houvesse entrado em contato com ela. Mas também, a arte deve ter sido parte integrante de outras vidas minhas inclusive, era só uma questão de tempo até que eu a encontrasse nesta.

Por isso tantas aflições... alma artística em ebulição. Tem que deixar fluir. E pra dar certo, tem que tentar uma continuidade, um resultado satisfatório, uma exposição, um retorno do público. Sim, a arte foi feita para ser vista, e para que tudo funcione ela tem que ser. Então, colocar tudo em prática pra ver logo o resultado!

Grande fim de semana ao lado de pessoas divertidíssimas. Obrigada universo. As coisas vão mudar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dindinha...

Uma bagunça. Quando tento acesso direto dentro de mim, sou barrada por centenas de sentimentos incompreensíveis que simplesmente impedem minha passagem ao lugar que começou isso, que é a raiz do problema. Não consigo entender.

Minha vida foi tomando rumos e proporções tão fora do meu controle que eu definitivamente perdi as rédeas, e curti muito esta sensação. Agora tudo está uma bagunça! Não sei nem por onde começar.

Ontem pensando em todas as soluções possíveis cheguei a que sempre me agrada mais: fugir. Sempre adorei a sensação de chegar num lugar novo, sem história, sem passado. Tudo o que eu disser terá que ser aceito, por que como provar o contrário? Uma forasteira, descobrindo novos caminhos de chegar em casa, construindo um novo lar, com novos amigos, novos cheiros, novas situações.

Talvez a palavra não seja bem fugir, seja explorar. Talvez seja mesmo uma fuga e talvez eu esteja precisando dela. Mas e ela demorar? No meio da bagunça não dá né!

Enfim. Comecei lentamente a colocar as coisas de casa em ordem. O guarda-roupas, a gaveta da escrivaninha, as bolsas que são trocadas, tudo começou a pertencer a um lugar, a entrar numa ordem. Aos poucos minha cabeça começa a entrar em ordem também. Passou da hora de crescer e tomar uma posição neste mundo.

"Divinha o que primeiro vem amor ou vem dim dim... Dindinha dê dinheiro, carinho e calor pra mim..."

Dindinha - Zeca Baleiro

sábado, 23 de outubro de 2010

As horas que penso com clareza...

Todos possuem suas horas favoritas do dia, quando seu cérebro funciona na velocidade perfeita, aquela que faz com que você abra várias janelas diferentes da internet e vá trabalhando cada aspecto diferente necessário de mudanças, com muita vontade, com precisão. Sempre foi assim na minha vida.

Adorava quando morava com o meu pai por exemplo, que tinha a madrugada inteira pra mim. Lavava a louça, limpava a casa, assistia às séries favoritas, postavas nos blogs, fotologs, atualizava as agendas, ouvia música, tocava música. Tudo no silêncio da madrugada. Ou quando passava os finais de semana em casa sozinha e ficava a madrugada inteira na internet, navegando...

A verdade é que tenho uma personalidade bastante conflitante. Sou uma pessoa comunicativa, simpática, adoro estar em contato com as pessoas, conversar bastante, trocar idéias sobre assuntos diversos. Ao mesmo tempo adoro o silêncio da solidão. Adoro estas horas em que a maioria das pessoas dormem, a cidade faz silêncio pra descansar. Lugar perfeito para as minhas idéias, emoções, desejos fluírem. É de fato quando penso melhor. Alguns amigos entendem minhas necessidades de tempo sozinha. Outros não. Com o tempo isto vai ficando mais claro, vai se tornando meio que sua marca. Ainda sim é difícil que entendam que não é nenhum problema com eles, é só a minha necessidade de ficar no silêncio, para me escutar.

Ouvindo bem atentamente, vou traçando aos poucos os caminhos pra muito breve. É assim que aprendi a viver, por minha conta, com minhas especificidades. Cada ser tem sonhos à sua maneira, certo?


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quando a mudança se faz necessária.

Existem momentos que nos conhecemos, nos entendemos, ficamos até satisfeitos, melhoramos como seres humanos. Tudo passa a ser mais compreensível, suas idéias são mais sólidas, seus conceitos. Já há ali um apontamento de tudo o que viremos a ser, mas que por aquele momento parecia já ser bastante coisa.

Então, existe aquele momento que você tem que parar, se olhar novamente. Fazer as mesmas perguntas, comparar as respostas. Acrescentar novas questões que vieram com as experiências. Deve ser por isso que no universo inteiro o ser mais interessante seja talvez o menos evoluído. O ser humano é fantástico, porque é complexo. A complexidade que temos se faz tão bela, é poética até nos momentos mais bizarros. Eu não vou parar de tentar entendê-lo, entender-me, revisar-me e recriar-me. Bom, isso é o que posso fazer por mim, como muitos fazem diariamente.

Esses dias que passaram tenho entendido sobre a segunda vez que me conheci. Da primeira, gostei um bocado. Da segunda, bem, continuo gostando muito de mim mas fiquei desapontada com um monte de poeira que me faz mal, me dá alergias e bronquite, que me irrita os olhos até eu não poder enxergar mais, esta poeira está impugnando meus ambientes e eu nem percebi.

Melhor de tudo é contar com nossos espelhos de alma, com as pessoas que nos ajudam a perceber que talvez estejamos menos brilhantes, mais enferrujados, menos motivados... Hora de se recriar, dar novos significados para todos os aspectos da vida. Recriar os sonhos, desejos, castelos, lugares secretos. Deixar o que está pesando pra trás, seguir com leveza, encontrar novamente as forças que já me levaram tão longe e ver se me ajudam a alçar vôo.

"E quero que você venha comigo". Quem quiser e estiver nessa vibe boa, seja bem-vindo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Hola! Hi! Salut! Oi!


Língua universal!!! Que tipo de linguagem poderia agregar todas? Pensei tanto nisso que sonhei.

Tinha grandes montanhas verdes, eu estava em algum lugar alto, pois enxergava um vilarejo muito bonito abaixo, com casas de telhados de palha, portas abertas, tudo muito simples e natural. Começo a descer com calma, olhando a paisagem, tudo muito bonito por sinal.

Quando chego ao vilarejo sou muito bem recebida. Todos me olham com um olhar terno, afetuoso, saudoso, aquele olhar que diz "que bom que finalmente chegou, não aguentava mais te esperar". Sorrisos, abraços, beijos. Muito carinho, muito amor! Nenhuma palavra até então, mas muita música... música que vem de todos os lugares, melodias que se completam, vão continuando conforme vou passando.

Estou indo, em direção a lugar nenhum, só quero estar ali, conversar com todos, vê-los, senti-los, revê-los. Sim, porque não me sinto estranha de maneira nenhuma. São todos muito familiares, desde os pequenos aos mais velhos. E todos com uma luz branca intensa, apenas sorrindo e dançando, cantando, vivendo e parando para me olhar passar, me dizer "bem vinda".

E vou passando o dia apenas dançando, cantando, me comunicando com todos através dos olhares, dos toques, dos gestos. Tudo é compreensível, pois falamos de uma unidade tão harmônica, é amor. Amor não tem mesmo língua, não precisa de nenhuma definição, apresentação, precedente. É amor e agrega tudo de bom que existe no mundo junto com ele. É universal. Não é necessário mesmo que se diga nada, só vivê-lo é suficiente. Minha aldeia perfeita era feita de amor, muito amor. Por isso tudo era tão pacificamente compreensível e belo.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Intensamente...



Por isso sempre gostei de viajar. Conhecer novos lugares. Levar todo o frescor de sua experiência jovenil, porém intensa, a um lugar completamente novo. Olhar com curiosidade para cada pedacinho de calçada, ondas mais bravas ou brandas, placas de ruas que possuem outras cores e nomes tão diferentes, ou simplesmente iguais.

Todas as viagens são ricas. Mesmo aquelas que muitas vezes acontecem do teatro para o hotel, do aeroporto para o teatro. Ainda sim é preferível ver uma cidade do carro ou do aeroporto do que nunca tê-la visto. Adoro a sensação de ser nova num lugar, ser forasteira, seru turista, ser profissional à trabalho. Adoro sobretudo quando consigo não só sentir o clima do lugar, mas entrar nele. Me deixar aos poucos desacelerar, desestressar, entrar numa calma, baixar a ansiedade. Poucos lugares são capazes de fazer isso comigo, em geral estou sempre tensa. Mas após esta última viagem à Salvador, em especial, parei para refletir e já comecei à aplicar na minha vida os benefícios de uma vida voltada ao nosso bem estar.

Penso no que desejo, logo faço com que todas as minhas energias boas e fortes sejam direcionadas a isso. E para que tudo possa fluir da maneira correta, faço com que meus atos sejam coerentes com meus pedidos a serem conquistados.

E no meio de tudo isso amigos que sempre nos alimentam, nos fortalecem, nos fazem crer que os sonhos são possíveis e se colocam ao nosso lado para realizá-los conosco.

Passei dias incríveis com Ba, Pe e a pequena Maria Flor que é tão parte de mim que me faz doer a saudade. Mas ainda bem que podemos contar com a tecnologia, e posso vê-la, ouvi-la, conversar com ela como sempre fiz desde que ela tinha seus três meses e insistia em ficar balbiciando sem parar, e eu junto, como sempre, e como sempre será.

E a vida diz que vai tirar, dá mais uma chance só que com um puxão de orelha e um aviso "vai que dá minha filha!". Tem que dar, certo?

Como tá tudo um mix arretado que só não dá pra separar e verbalizar ainda... deixa se fazer entender... na vida, dá tempo pra tudo!
O que importa é sorrir sempre!


sábado, 11 de setembro de 2010

Happy day!


And a Happy Birthday to us too!

É difícil não misturar todas as linguagens. Mais difícil ainda é querer comunicar-se com todos, querer fazer-se entender de todas as formas, então surgem os signos, os gestos, os pensamentos.

Utopia é o nome do espetáculo, que só pode ser traduzido como algo que DEVE ser visto pelo menos uma vez na vida. Nada de novo, só que de uma maneira emocionante. Leo Bassi é o nome do criador... um provocador dos melhores... como ele pensa nos mínimos detalhes. Vi muito de uma pessoa mais próxima, só que de uma maneira mais branda... talvez um dia ele tenha sido assim também, vai saber. O fato é que passar estes dias ao lado dele e ouvindo tudo o que disse, foi simplesmente especial.

Então de repente a vida dá um giro, coloca tudo de pernas pro ar, te coloca pra pensar numa série de valores, de sentimentos, de questões... quero mesmo é ir pro mundo, acho que aos poucos meus caminhos vão se fazendo para isto.

Minha utopia? Que falemos uma língua universal, e que se não for possível, que vivamos para nos fazer entender, mas que consigamos sempre comunicarmo-nos! Há caminho mais lógico para o entendimento que a comunicação?

"Não encontrei problemas para convencê-los aqui, pois todos sofrem de uma patologia!" - Leo Bassi se referindo a nós, trabalhadores dos Parlapatões.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Curar-se, amar a si próprio e então amar!


Saindo de uma daquelas coisas que chamam de virose, aquilo que nunca se sabe o que é e que te deixa com diarréia, vômito, parecendo que levou uma surra? As cólicas são tão intensas que parece que parte de seus órgãos estão sendo arrancados fora. Adoro quando sou obrigada a passar por estes momentos, faz com que me sinta tão viva.

E como o Universo não poderia ser mais generoso, trouxe com este momento alguns outros que estão me ajudando a me entender, a me escutar e principalmente, a começar a ver os primeiros caminhos para mudar. Sim, porque mudanças são sempre necessárias. Adaptação, talvez seja uma palavra que descreva melhor.

Estive tão desesperadamente louca para amar esta pessoa especial todo este tempo que nem vi que não sou capaz disto, quando ainda preciso consertar um tanto de coisas mínimas dentro de mim pra começar a amar alguém. Não estou dizendo que as pessoas para se relacionarem tem que ser perfeitas, longe disto, se não o mundo estaria perdido! Mas há que se ter um equilibrio básico dentro de si para poder procurar outra pessoa. Querer alguém enquanto há várias perguntas não respondidas pra si próprio é catastrófico demais. Estraga vidas.

Então quando tudo parecia confuso demais para ser explicado, entendi que às vezes é necessário focar no que vai te deixar melhor e que coisas boas venham junto com esta melhora. Se for um amor, será tão bem vindo quanto todas as outras novas experiências. Mas antes, limpeza e organização. Para que tudo o que vier de bom possa ficar e gerar bons frutos!

domingo, 29 de agosto de 2010

Sem resposta...

Cena clássica onde nos expomos e nada retorna. Cena típica mesmo, daquelas que terminam de forma bem patética... as palavras se esvaem, perdem o sentido, perdem o direito de terem existido, já que foram escritas e esquecidas. O que fazer com as palavras que se criaram para obter uma resposta e ao invés disto permanecem no limbo do que pode ter se perdido, pode ter sido ignorado, pode ter sido apagado, quem sabe apenas está ainda lá piscando, quem sabe?

E por que importa tanto? Quantas perguntas, quantas palavras, tudo acontecendo no mundo e sendo ligado a ele de novo... Outro dia disse que pararia de fumar cigarros para ajudar em meus estudos de canto, a Paula (amiga tipo irmã) diz: "que tal você começar a cumprir com o que diz?". Desde então não fumei nenhum cigarro, como tenho feito com as coisas as quais ando me propondo a fazer. Tudo, menos tentar deixar esta paixão platônica para trás, como tudo o que não anda funcionando em minha vida e que estou mudando gradativamente para que comece a funcionar... que tal?

Mas então ele chega, sempre com aquele ar cansado, calmo, feliz de alguma forma. Uma segurança, uma doçura. Mesmo quando não me cumprimenta, não diz tchau. E eu deixo tudo pra passar mais uma noite só batendo papo, só conhecendo-o e conversando, e trocando tanto sobre tantos assuntos que nem dá pra enumerar, só sei que sinto muito prazer sempre, todas as vezes. É loucura se apaixonar pelos gestos? Ou pela forma que o sorriso dele brota quando olha pra tela da câmera e do computador e vê algo incrível que captou?

Esses dias achei em Clarice mais um refúgio, numa frase brilhante. Estava decidida, estava realmente obstinada. Então passo o domingo entre filmes tristes e muitas lágrimas, uma caixa de chocolates (que AINDA não acabou, como o dia também não) e entre as perguntas que não se respondem sozinhas, com aquele sorriso e olhar compreensivo na cabeça, com a certeza de que estou brincando sozinha nesta play...

Engraçado, embora parar de fumar esteja sendo fichinha, parar de deseja-lo, nem tanto. Ainda sim, ai se não tivesse né! Melhor era tudo se acabar, já dizia o poeta!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Há momentos
Clarice Lispector

"(...) Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.(...)

(...) A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre."

Senti-me tão inspirada após o poema que tive que escrevê-lo e deixá-lo na porta da geladeira para que minha mãe leia ao acordar. Espero que o inspire tanto quanto a mim e que a faça querer viver tanto quanto eu quis.

Na bolsa, aquela trufa da minha doceria predileta, guardada há tempos no intuito de ser esquecida, pra ajudar a perder uns quilinhos. Achei propício saboreá-la pedaço por pedaço agora. Como disse, vontade de viver.

É bem verdade que poucas pessoas param para ler o que escrevo, e que não tenho nem de perto o olhar clínico e poético sobre a vida como esta brilhante autora, mas é verdade que um dia ela foi uma jovem mulher, confusa, com poucas palavras, estórias, observações, experiências. Daí ela se tornou Clarice Lispector.

O que quero dizer é que sonhar é do ser humano. Sonho porque me alimenta, me faz melhor. Espero que consiga inspirar alguém com o que compartilho, pois me sinto sempre muito inspirada por coisas que leio, inclusive de ilustres desconhecidos como eu.

Me alimentando de:

Mary&Max - animação incrível de chorar do início até o fim.
Julia&Julie - Juro que o próximo não é Sandy&Junior! rs.... Mas este filme é inspirador também. Histórias reais de pessoas que deram certo,adoro.
Adam - sobre um homem que tem a síndrome de Asperger e se apaixona por sua vizinha... clássica história, mas desenvolvida de forma bem realista neste filme. Gostei. Delicado, envolvente..
Criação - filme que mostra uma parte da vida do Darwin, em foco quando resolve publicar "A origem das espécies", muito próximo de quando sua filha mais velha morre. Além dos atores serem incríveis, uma direção impecável, fotografia deslumbrante, há uma visão tão humana sobre Darwin, algo que poucas pessoas param para questionar e como isso influenciou em suas pesquisas, seu modo de encarar a vida, os fatos. Enfim, mais uma forma de mostrar os caminhos tortuosos que certas vidas seguem para que outros bens ocorram... ciclos!

Está faltando filmes, mas escrevo uma outra hora mais!


sábado, 14 de agosto de 2010

Ciclos...

Quanto eu estava com 20 anos a minha vida deu um giro de 90° me deixando completamente sem chão... tanto que na época a solução mais lógica ao meu alcance era me endividar, comprar uma passagem de avião pra Madrid e ir viver ilegalmente com meu primo, que na época também estava ilegal, e recomeçar tudo do zero de um lugar completamente novo. Poxa... o que é recomeçar uma vida de 20 anos? Quanta pressa temos né!

Não precisei ir, arranjei outras soluções é claro. A vida acaba por te levar pros caminhos que ela está programada para levar. Acredito sim na capacidade individual de cada ser de conduzir seus caminhos aos lugares desejados. Mas nem sempre desejamos o que deve acontecer, não podemos esquecer que somos antes de tudo uma parte de uma roda que gira, que nunca parou. Enfim, a vida me deu o que eu quis, e me mostrou que pode tirar também.

Quando não cuidamos de algo alguém toma conta, leva, porque é assim, as coisas precisam funcionar mesmo que você não esteja se empenhando o bastante para que elas funcionem. Enfim. Parece que estou encerrando um ciclo. Longo ciclo. Mas precisava entender e recolher experiências fundamentais para o futuro. Bom, é assim que gosto de pensar. Sempre procurei entender o começo e o final das coisas em minha vida... nenhum acontecimento passa em vão, porque se não terei que passar por aquilo novamente e certamente não quero!

Então quando estava completamente sem chão nos meus 20 anos, sentei-me com uma pessoa incrível que dentre previsões certíssimas, descrição fiel de meu passado e algumas explicações dos acontecimentos caóticos dos últimos dias, ainda me disse "sabe porque toda esta força? Você não se abala com os ciclos. Entende seus inícios, lida bem com os finais. Não sofre, passa pra outra, muda de direção. Quando as coisas parecem fáceis, elas deixam de assustar certo?"

É bem verdade que tristeza e frustração são parte de quando sentimos que falhamos. Mas sob uma perspectiva mais abrangente, entendo que algo tinha que vir com este acontecimento... vou aproveitar o que puder, aprender e passar, porque novas coisas virão e só ficarão mais fáceis se eu já tiver resolvido as anteriores.

Bem, ciclo novo iniciando. Hora de entrar na arena pra vencer.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pague meu dinheiro e vista sua roupa...

Ainda não tive coragem de cobrar, mas hoje, era exatamente isto que eu deveria ter feito. Cenário assustador, ambiente familiar. Foi tudo tão rápido. Acho que ambos tínhamos muita certeza sobre o porque de estarmos ali, quanto antes então melhor. O sexo em si não foi dos piores, o que me fez voltar pelo caminho sentindo asco daquele gosto e daquele cheiro não havia sido nada físico. O discurso "não quero pagar trezentos reais no ingresso e sentar ao lado de uma família de pessoas mais humildes" é que me deu tanto nojo que eu queria vomitar apenas.



Engraçado. Já estive com pessoas que pensavam diversas coisas, mas uma coisa como essas ser tão aparente assim, um discurso tão jovem petulante nariz enpinado arrogante sabe tudo psiquiatra insensível, técnico de máquinas humanas! O encontro de hoje teve proporções em minha vida muito maiores que eu poderia imaginar...



Pior isso... um técnico de máquinas humanas. Mais um. "Acho bonito como vocês das humanas gostam de militar! Levantar a bandeira!". Ah... quanta superficialidade sobre uma opinião isolada de um assunto isolado.



"Little boxes, making of tick tack. Little boxes,little boxes, littles boxes, all the same!"

Sempre tentanto colocar tudo em caixas, já me enquadrou naquela que tem ideais, que tem seu discurso e luta por ele e é hipócrita por outro lado... Poxa... que bom que já entendeu tudo isso nos quinze minutos que estamos conversando. Era pra eu sentir vergonha por pensar? Por me incomodar o bastante para não assistir o que não me sinto à vontade? Acho que na verdade o incômodo partiu por eu não pensar como ele e alguns bons porcento da sociedade. Me desculpe então!



Me senti tão pequena tendo dividido mesmo apenas que sexo, mesmo que só por necessidade física. Se a conversa tivesse sido antes eu não teria passado mais que alguns instantes e entendido que não valia a pena, porque antes uma boa foda com o dedo que uma indigestão pós sexo como esta.



Este ano está sendo um filha da puta de acontecimentos extremamente humanos. Se por um lado eu desencanei das aulas, por outro vivi intensamente os conceitos que tenho que levar para as matérias. Humano... vivendo intensamente e com encontros inesperadamente deliciosos.

Hoje sai realmente estarrecida pela minha pouca capacidade de julgamento quando o assunto é sexo, e minha necessidade dele. Se por um lado sai satisfeita, por outro sai frustrada, nervosa, enojada... e pior, fazendo como ele, colocando-o na gavetinha de ser insuportável sem dar ao menos outra chance. Mas quer saber? Somos movidos por nossos desejos e anseios, somos seres egoístas e é isso que nos faz sobreviver, não é?



Mas embora este encontro tenha sido aparentemente desastroso, foi um verdadeiro achado riquíssimo em aprendizado de diversos angulos. Quanto a cobrar, hoje quando peguei minhas coisas indignada e sai entendi definitivamente que minha liberdade é algo que dinheiro algum pode comprar. Sério, façam seus preços. Sou jovem, inconsequente e estúpida! Sou dona da minha arrogância. Vivo o agora. Ora, que honra afinal.

domingo, 8 de agosto de 2010

Olhos azuis


Não estava com pressa de quem está com horário marcado, estava com pressa de quem sente muitas saudades e quer logo chegar em casa, dormir na cama confortável, comer a comidinha que minha tia sempre fez com tanto carinho... Era este tipo de pressa. Mas estava até que bem tranquila, a fila era pequena. Na minha frente apenas um homem que falava muito ao celular enquanto uma menininha pedia desesperadamente por sua atenção.
Grandes olhos azuis esverdeados me olhavam de baixo pra cima. Estavam ainda maiores e mais esverdeados, aumentados pelas lágrimas peduradas e mais aquelas outras que vinham correndo empurrando estas umas. Ela sorriu ao olhar para mim, sorri de volta... um largo e sincero sorriso. Fomos para a mesma plataforma. A menininha se sentou com o seu pai de um lado, fui para outro distante. Comecei a tentar ler meu Hamlet. Comecei a perceber os movimentos desesperados que vinham da garotinha, que parecia querer mostrar com seus bracinhos curtos toda a tristeza e confusão de seus sentimentos, que suas palavras eram ainda insuficientes para expressar. Depois de discutir um pouco e então desistir, o pai da pequena sai para um lado deixando-a sozinha. Ela rende-se em chôro sentido, desesperado. Em meio a soluços, seu olhar perdido pede ajuda.

Levantei-me, peguei minha mala, fui em sua direção, sentei ao seu lado, puxei uma caixa de bis da mochila (como toda chocólatra nível máximo, sempre tenho um chocolate na bolsa) e ofereci a ela. A fofa deve ter se lembrado dos pais dizendo para nunca aceitar nada de estranhos, então com aquele mesmo sorriso largo eu disse "chocolate cura qualquer dor, vai por mim". E então ela também sorriu e pegou o chocolate. Seu nome é Letícia, vem bem de encontro às suas bochechas fofas e rosadas e seus olhos grandes e claros. Comecei a limpar suas lágrimas dizendo
que ali havia um rosto muito doce e lindo para tanta tristeza... ela começou a me contar com desespero que seus pais estavam se separando e seu pai não queria deixá-la com sua mãe em São Paulo, ela estava indo obrigada para o Guarujá. Dez anos apenas... no meio daquele furacão da separação e das coisas que não entendemos que vem junto com ela. Então comecei a lhe contar de quando meus pais se separaram e eu fui morar na Bahia com a minha mãe e seu novo marido. "Não era ruim?" ela me perguntou. "Bom, não é muito legal é verdade. Mas você acaba conhecendo mais gente, mais gente acaba entrando na sua vida e gostando de você, você acaba conhecendo outros lugares também. É divertido agora e mais pra frente vai acrescentar um bocado na sua vida". E ela deu um suspiro longo e aliviado, pegou outro chocolate e continuamos a conversar sobre sua vida, seus amigos, as coisas que gostava de fazer.
Seu pai chegou, achou estranho mas não interrompeu. Ficou olhando de longe, apenas se certificando que a menina estava bem. Mas eu não estava com cara de quem parecia que iria machucá-la. Ainda comendo bis com ela, desta vez estava contando de quando cheguei no meu primeiro dia de escola, olhei para uma menina de cabelo todo armado como o da Hermione, comecei a falar com ela empolgada que meu nome era Amanda, estava ali no meu primeiro dia e era também minha primeira escola na Bahia, porque eu estudava em São Paulo... e dali em diante ganhei um monte de amigos novos, e não só nessa escola, não só na minha primeira casa. E já fazem mais de 13 anos e sinto saudades de todos, sempre...
O homem sorriu aliviado. Entrou na nossa conversa quando eu perguntei pra Letícia o que ela queria ser, ela disse que não sabia, eu disse que na época que tinha a idade dela queria ser aeromoça e seu pai perguntou se ela sabia o que era, logo depois então explicando. Quando fomos embarcar, eu deixei a caixa de bis com ela, deixei meu telefone e e-mail pedindo para que ela fosse assistir Clássicos do Circo nos Parlapatões no domingo à tarde. E que se por acaso quisesse apenas escrever, conversar, que era só me ligar!
Letícia me puxou com seus bracinhos pra perto dela, me deu um abraço longo e apertado. Em seguida um beijo, depois outro beijo, bem barulhentos! E me disse "tchau Amanda... eu vou ver a peça tá!". E entramos no ônibus. Quando fomos desembarcar no Guarujá, seu pai ainda me olhou por uns instantes sem acreditar muito bem no que havia acontecido, mas com um olhar de agradecimento. Dei meu sorriso largo e sincero, peguei a rua em direção à praia e caminhei seis quilômetros para casa. A mala não pesava e a água não congelava meus pés. Tudo estava tão
lindo quanto aqueles olhos azuis esverdeados como o mar.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Felicidade não precisa de culpa...

Em geral, nunca reparo muito nos quadros que tem nos quartos de hoteis... este moço que está no quadro em frente a minha cama me intriga agora... ele tem um olhar distante, não é perdido, é focado no que está logo abaixo dele... salas enormes, vazias. Mulheres? Estátuas? Pessoas que com certeza perseguem estes espaços levemente iluminados... outra imagem, perdida ao centro, um mar verde abaixo, o homem a contemplar e o bêbado falando alto lá embaixo, que a momentos atrás eu estava comemorando justamente o fato de não ter cruzado um ainda, no centro da cidade de Ribeirão Preto.

O que eu vi hoje naquele palco... não há como não se emocionar. Encenação das melhores, vindo dos melhoes, que hoje estavam se divertindo com um público delícia. Sentada à mesa do Pinguim (salve o melhor chope de São Paulo!) depois, conversando e rindo com essas pessoas que gosto tanto, adicionei alguns pontos a mais de entendimento sobre o porque faço o que faço, com tanta paixão, e com tanto prazer. E que privilégio, estar ao lado destas pessoas tão delícias.

Enfim. Vivendo o que sempre sonhei, só que melhor. Que na realidade, as pessoas são tão incríveis quanto. 1400 pessoas hoje, pessoas delícias, conversas gostosas, cidade boa. Pode ser que o caminho às vezes seja cheio de curvas, neblina que dificulte a visão. Mas estar cercada das melhores energias, faz mesmo a diferença. Felicidade não precisa de culpa, já dizia o sambista!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Pior é que é sério!

Então começamos as reuniões para definir o que seria “O Pior de SP”. Muitas histórias do que foi o anterior, conversa do que estava acontecendo atualmente já emendadas em piadas sobre, e possíveis cenas para...

Nas reuniões seguintes, entendimento do roteiro e de como viabilizá-lo entre os carros de apoio, a van dos atores, a van do cenário, as intervenções no caminho do ônibus, os lugares de parada. Logística insana para traçar em plano, visualizar tudo, tentar de alguma maneira não esquecer de nada e principalmente de ninguém. Tudo organizado em várias sacolas, tudo separado nas vans, nos carros, nos ônibus. Os monitores Hugo e Fabeck descem com as rodomoças Rachel e Dani, o Comandante Trevor inicia o cerimonial de abertura com “gostaria de mandá-los para o inferno, mas ao invés disso lhes mando para o Pior de SP”. E aí começamos a nossa correria dos bastidores.

Enquanto as cenas rolam nos ônibus, corremos para levar os atores a um ponto de parada (tivemos cenas na Oscar Freire, Mc da Rebouças ou Mc da Paulista, Cemitério da Consolação, Câmara Municipal, MASP, Caixa da Paulista, Objetivo da Paulista nesses quatro dias de apresentações) corremos para levarmos ao ponto seguinte, e as coisas que tem na cena, e chegarmos antes da excursão. Vários os momentos que chegávamos correndo um pouco antes do povo, que tínhamos que dar voltas com os ônibus pra dar tempo de chegarmos com os atores... e tudo isso só é possível por uma equipe incrível de pessoas dentro de cena e fora dela, que fazem tudo acontecer, como mágica. Vários dias de organização, correrias na 25 de março no dia da apresentação, correrias malucas durante o passeio e tudo lindamente acontecendo, entre muitas risadas, muitas bobagens pra falar de assuntos muito sérios, darmos risadas de nós mesmos, expormos o nosso pior. E tudo graças à todos esses malucos!

Hoje gostaria de agradecer aos meus companheiros de backstage: Cintia, Jana, Edsão, Sr. Antonio, Bella Dona, Vivi, Werner, Erikinha. Um parêntese especial ao Luiz Alex, leitor fofíssimo do meu blog.Luiz, coitado. Só tinha ido tomar uma breja, acabou sendo sucumbido pelo Pior de novo. Todos queríamos ele de novo, até eu que não o conhecia! E vê se não tínhamos razão? Obrigada querido, adorei trabalhar contigo.

E um agradecimento especial à Cris. Por tudo o que vem me ensinando, por toda paciência, doçura, generosidade. Por ser uma profissional incrível, uma pessoa linda. Obrigada.

O Pior de SP somos nós. Obrigada à todos que tornaram essa experiência única.

sábado, 3 de julho de 2010

Morangos e sorvete de chocolate.

Ando demasiadamente sensível. Sensível e egoísta por consequência, não que todas as pessoas que se sintam sensíveis sejam egoístas, nem que isso ocorra com frequência na minha vida, mas nessa fase atual está acontecendo, quase instintivamente.

E sensível não só no sentido romântico, é mais numas de à flor da pele mesmo, para tudo, com antenas extremamente ligadas e sentidos extremamente aguçados. Combinados ao meu egoísmo e minha já habitual irritante mania de sinceridade, ando uma metralhadora, bem sem censura e nem to ligando... percebem?

O resultado da minha última verdade disparada é meu ap vazio no sábado à noite, do jeito que sempre gostei que estivesse. Chegar em casa, escutar meus ecos ressoando nas paredes do meu canto vazio, ter meus momentos comigo sempre foi fundamental. Me conheci tanto quando morava sozinha. Acho que me perdi pela falta de espaço próprio.

Ando perdida. Ainda bem que em meio a boas energias, pessoas, sensações. Me concentro pra tudo dar certo com o trabalho, me faço presente à todos que amo, pratico meu exercício diário de criar minhas palavras pra me mostrar ao mundo como forma de me ver também, mas não consigo me encontrar.

Hoje, após muito tempo, estou escrevendo fumando em minha cama enquanto ouço "Until" de Cassandra Wilson no repeat com uma tigela de morangos e sorvete de chocolate ao meu lado, aguardando o play de Friends que assistirei até cansar, dormir e sonhar com meus labirintos ensolarados, cheios de lindas criaturas que me fazem sorrir.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mania de combinar tudo!

Sempre gostei de pensar nos detalhes, combinar ações para que a junção delas chegue a um resultado muito especial, único. Certa vez uma amiga muito especial estava indo para Paris, passar um mês à trabalho e alguns dias de viagem mochilando pela Europa. Como sempre estivemos muito presentes uma na vida da outra (hoje em dia nos dedicamos à gigantescos e-mails quase que diariamente) eu arranjei uma forma de me fazer presente na viagem. Fiz uma caixa com 20 cartinhas e 20 presentinhos, uma carta e um presente para cada dia que ela estivesse no trabalho. Cada presentinho e sua cartinha diziam algo referente às nossas histórias, à nossa vida. Engraçado que a Ma me disse que o que estava escrito era exatamente o que ela precisava ler naquele dia.

Sempre fui assim, detalhista mesmo. Gosto de comprar acessórios que combinem com os meus vestidos prediletos. Gosto de pensar no brinco que vou usar e ter que montar toda uma estrutura ao redor dele de cor de sapato, de meia calça, de vestido, bolsa, se vou usar um colar ou se o brinco tem presença e tamanho sufiente para permanecer sozinho como adereço de cabeça. Nas produções que eu faço não é diferente. Estou sempre olhando para anotar sobre cada detalhe que acho que deva ser modificado. Gosto muito de boas apresentações visuais, acho que são fundamentais para todo o resto da obra. Cada detalhe há de ser cuidado e preservado.

Outro dia olhava para o meu cabelo no espelho. Ele combina exatamente com o tipo de mulher que eu estou me tornando, o tipo de mulher que pretendo ser. Meu rosto já carrega expressões cheias da minha personalidade forte, leve, observadora, sensível... sou transparente, não há segredos embora muito mistério segundo me dizem.

Mas este dia olhando no espelho, embora o cabelo combinasse, os conceitos pareciam não ornar com esta mulher que estou me tornando. As idéias pareceram antiquadas, os desejos insuficientes, melhor não falar em certos sentimentos. Simplesmente INADEQUADOS.

Algumas boas mudanças já ocorreram no exterior, o interior está uma bagunça. Minha mania de combinar tudo, pensar nos detalhes, cores, criar os ambientes, cenários e figurinos certos para tudo, me pede que eu seja mais perfeccionista e combine minhas idéias com esta mulher nova que está se apresentando.

It's a lot of work!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Palavras gostosas

Estava agora pouco pensando sobre o que iria escrever. Engraçado, tenho até tópicos de possíveis pautas para o blog, quem diria! Comecei a ler alguns blogs que fui tropeçando pelo caminho. Como é gostoso ler as palavras alheias. Cada um busca de suas histórias, de pedaços de textos lidos e sentidos, de imagens que sintetizam sentimentos. E ali, escrito e publicado a quem possa interessar, palavras que esse indivíduo escolheu para se expressar, para lhe expressar.

As palavras para mim andam tendo um gosto raro, inexplicavelmente bom e sabe o que entendi sobre os textos? Que devem ser gostosos de serem apreciados, do contrário, apenas entram e saem e não fazem a menor diferença... para que existirem então?

Fiquei com vontade de escrever sobre jujubas, de usar palavras como inquieta, preparada, fatídico, saudade, caminhos, delícia, fujona, cabisbaixa, firula, tapioca, enfim, palavras que acho gostosas de escrever, de degustar. Fiquei com vontade de dar vários cenários, sentidos e formas para vários pensamentos e pensei: calma que o espaço é infinito, as palavras são inúmeras e tempo é você quem faz. Aquietei-me então.


Na minha lista de coisas inacabadas a se fazer, a primeira tarefa anda evoluindo. O blog continua sendo atualizado e melhor, ando com vontade de escrever. Próxima tarefa: terminar os livros que comecei a ler. É uma lista muito boa.

- Hamlet - William Shakespeare (Tradução da Barbara Heliodora, em versos. Edição lindíssima da Folha com mais Macbeth e Rei Lear, capa lilás, incrível! Tá uma delícia, to quase no final).

- 1984 - George Orwell (A duras penas, mas indo. Uma leitura gostosa também, mas pesada pela história que além de muito louca é uma delícia.)
Acho que são só esses dois na verdade. Talvez seja uma lista pequena, mas é boa! rs...

Para encerrar então, deixar aqui as palavras daquele blog encontrado no caminho, que me foram tão gostosas que me fizeram escrever sobre o gosto delas.

"... Enjoei dos riscos, das perguntas sem respostas, das incertezas que dependem de um sim, da afirmação que abre espaços inseguros, porque na hora H as ondas se movem e a vida não cabe na garrafa. A vida é um licor que transborda." "...Nesta noite, quero me dedicar ao extremo ato das coisas simples, uma outra espécie de transbordamento, a devoção a cada hora vivida, o ritual dos tolos, o ritual dos sábios. Hoje parei o futuro."




sábado, 19 de junho de 2010

Quero ser universal!

Trilha para escrever e ler: http://www.youtube.com/watch?v=v6A7Q8UiZbw

Eu não me expresso muito bem em inglês, mas quero ser universal. Quero saber falar com alguma destreza pelo menos esta língua, para nunca mais ter problemas de faltar palavras quando estiver com alguém.

Muitas palavras me faltaram para uma história recentemente vivida. E ainda me faltam. Então resolvi condensar tudo em música alegre e feliz dentro de mim, virou então um clipe musical, um sonho realizado, emoldurado, guardado naquele lugar íntimo que nenhuma palavra que eu possa escrever consiga ilustrar.

Final feliz.

Indo para a Praça Benedito Calixto procurar um gravador antigo. Por favor, se alguém souber de um me avise. É pra segunda!!! Mais uma estréia. Baco nos ajude!

I want to be universal!

Soundtrack for reading and writing: http://www.youtube.com/watch?v=v6A7Q8UiZbw

I did not express myself very well in English but want to be universal. I want to speak with some skill at least the language, never to have problems with missing words when with someone.

Many words failed me for a story recently experienced. And I still lack. So I decided to condense everything into music joyful and happy within myself, then turned into a music video, a dream come true, framed, stored in that inner place that no words I can write can illustrate.

Happy ending.

Going to the Praça Benedito Calixto seek an old tape recorder. Please, if anyone knows of one let me know. It's for Monday! Another premiere. Bacchus help us!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Parlapatões

Quando tinha 16 anos e comecei a trabalhar na Funarte, conheci o novo coordenador da recém criada coordenadoria do circo da Funarte, Hugo Possolo. Homem sério, cumprimentava sempre com simpatia, carregava umas risadas junto com ele, mas sempre o via sério.


Um dia ele convidou a todos para uma estréia do grupo, fui na minha inocência da época sem nem saber quem eram os Parlapatões. Eu não estava preparada para o que estava por vir. Literalmente não estava preparada, porque cheguei atrasada, tomando um refri, ri que nem uma condenada do "Sardanapalo" e comecei a ficar louca de vontade de ir ao banheiro, mas me segurei, porque era impensável perder qualquer piada que fosse. E então me tornei fã. Ia assistindo aos espetáculos e sempre reparava que eles possuem uma estrutura, um cuidado, uma maneira de apresentação muito séria, embora fosse tudo pra fazer rir.


E pensei lá atrás "um dia vou estar lá dentro para entender qual é a dos caras". E agora já faz um ano que meu sonho se realiza dia a dia, e é exatamente como eu sempre achei que fosse, nada diferente. Muito trabalho, muitas responsabilidades. O resultado que chega pro público é sempre incrível, o melhor que aquelas pessoas poderiam fazer. Tudo caminha numa velocidade incrível, é preciso que seja assim. E quando eu via aquelas produções tão bem realizadas e desejava estar dentro delas eu tinha plena consciência do trabalho que seria, da loucura, da alegria e divertimento de trabalhar com palhacinhos. Tudo! Como foi quando estivemos no Festival de Curitiba.

Sempre foi meu sonho ir para o Festival e sempre soube que seria com os Parlapatões. Do jeito que imaginei: ingressos esgotados uma semana antes da apresentação num teatro de 700 lugares, encontros com vários grupos e pessoas legais nos restaurantes, no hotel... Pessoas saindo felicíssimas dos espetáculos, conhecer alguém inesperado na cidade e me apaixonar (cenas do próximo capítulo...rs...). Enfim, tudo perfeito, e tem sido nos parlapas desde que entrei lá. Pessoas muito queridas, aprendizado dia a dia por essas pessoas tão generosas.

Ah, e o moço sério continua cumprimentando com simpatia. É chamado de palhaço bronquinha, carinhosamente. É muito mais engraçado que parece, é muito sério porque não aceita qualquer coisa para o público, quer fazer e dar o melhor. Homem de muita visão, muito foco. Obrigada a todos. Feliz ano 1 de Parlapatões para nós.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A hora de brincar...

Em todas as vezes o ritual é bem parecido. Fico horas tentando descobrir como montar seu próprio template. Saio em busca de imagens, penso em mil delas. Passo horas escolhendo a cor de cada uma das fontes, me divertindo com a imensidão de possibilidade de azuis que posso escolher para o título, e depois a infinidade de lilases para os textos... todas as minhas cores favoritas ao meu dispor, eu me divertindo ali na construção como quando passava horas montando minha casinha nos galhos das enormes árvores do quintal de meus avós postiços, e logo que ela ficava bela e pronta eu partia para qualquer aventura nova.

Como todas os novos bonequinhos que eu comecei no "The Sims", só para construir com muito zelo cada parte de meu lar, e logo depois desisti começando outros e deixando os antigos lá de canto. Como a faculdade que foi linda no início e larguei sem nem olhar pra trás, como todos os meus blogs novos que tem lindos e novos templates e que duram o tempo de três textos, prolixos diga-se de passagem.

Deve ter algo a ver com a maneira que eu comecei a encarar o mundo. Durante muito tempo eu achei que mudar de escola, casa, vida, era normal pois na minha vida era frequente. Logo comecei a achar que quando houvesse algum problema era só começar tudo de novo que tudo se resolveria, renovar-se, recriar. E assim tenho pouquíssimos projetos que já dei continuidade na vida. Em geral vou apenas vivendo mesmo, sem muito foco ou determinação.

Hoje resolvi começar e terminar o blog. São 2:48 da manhã, e mesmo tendo ensaio amanhã às 10hs, estou aqui dando mais um dos passos que ando timidamente começando desde que acordei um dia e percebi que tenho 23 anos. Parece pouco, mas já parece um bocado pro tanto que ando fazendo. Senti orgulho e vergonha dos lugares que estou, afinal, são muitas as escalas que almejamos. Decidi dar meus passinhos.

Este ano tentei ter um cachorro e não consegui, tentei fazer a faculdade e estraguei tudo, tentei um projeto artístico e o engavetei, tentei voltar a tocar violão, tentei ter um outro blog. Várias outras coisas deram certo. Estas estão por dar. Hoje começo a brincar com o Para-raio e Cata-vento, para que muitos ventos soprem as chuvas e só tragam boas notícias.

Ouvindo - Para-raio e Cata-vento - Djavan (Do primeiro trabalho de Djavan, vale a pena conhecer)