domingo, 24 de abril de 2011

Ser só... só ser!

" Sabe gente, é tanta coisa que eu tenho até medo.
Sou eu sozinho e este nó no peito, já desfeito em lágrimas que eu luto pra esconder."


Música de Gilberto Gil - Eu preciso aprender a ser só.

Entrei em contato com esta música num momento da minha vida em que eu me apegava justamente nesta frase. "Sou eu sozinho e este nó no peito..." Sempre acabo assim, sozinha e tendo que caminhar sozinha, e como disse no post anterior, fico à espera deste alguém especial, que irá me acompanhar e me frustro quando não encontro.

Hoje em dia, re-visitando a música dentro de mim algumas vezes, me apeguei a outras frases dela. A que diz por exemplo "eu preciso aprender a só ser".

Não sei se sei ser só, mas levo muito bem minha solidão e tiro muitos proveito dela. Agora, ser, apenas ser, assim, existindo conforme o presente manda, sendo coerente com o que se acredita, agindo de acordo com os seus valores, bom, isso já é parte de outra tarefa.

Este ano iniciei como nunca antes. Como estava num lugar ermo, afastado, tive o prazer de entrar em contato com as minhas partes mais sinestésicas, parei para me escutar e escutar minha intuição mais atentamente. Descobri que muitas vezes se ouvir e querer ser o que se ouve exige muito mais que coragem. Exige um despreendimento com a opinião alheia, comprometimento com você mesmo e muita disposição, acima de tudo. Pois há muita inveja em cima de uma pessoa que aparenta segurança.

Ninguém me pergunta sobre os meus esforços diários para me melhorar como ser humano. As pessoas só me vêem num vestido bonito, com uma maquiagem modesta mas que ressalta meus traços, sorriso largo (reflexo de minha alma) e olhar sincero, me julgam bem sucedida e acreditam que eu simplesmente fui afortunada por ter nascido assim.

Sem dúvida que sou afortunada por tudo o que disponho para correr atrás de meu sucesso. Agora, não há nada sem trabalho. E por mais que o mundo inteiro me diga que o trabalho que mais enriquece é aquele que lhe dá mais dinheiro, eu digo que meus valores são inteiramente diferentes e o que me enriquece é aquilo que enobrece minha alma.

Minha esperança em ser extremamente rica é poder entrar nesse sistema e questioná-lo, e bagunçá-lo com humor e fazendo o bem. E no meio disso tudo aprender a forma mais simples de existir, em contato com as minhas forças internas, em contato com as forças espirituais que estão aí para nos amparar, em contato com a natureza que à todo momento me traz de volta para a realidade e me mostra que eu sou apenas uma pecinha fundamental nesta roda que não pode parar, como todas as outras pecinhas fundamentais.

Então, de repente o peso vai se esvaindo. Não por completo, mas parece que consegui deixar algo para trás. A estrada é longa. Aprender a ser não é tarefa fácil mesmo. Axé para nós e os trabalhos que se seguem.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Apareça...

Sabe aquele tipo de sentimento que você não sabe muito bem o que fazer para que desapareça, então você o sufoca até que ele se transforme num sentimento compacto, que você jura que deixou de existir?

Um dia, logo após acordar, aquilo lhe vem à cabeça e você descobre que não, aparentemente você não resolveu, algo ficou ali que ainda lhe provoca perguntas. Bem, pergunte-se então. Responda-se. Entre em contato com aquilo que demorou tanto para conseguir considerar novamente, mas o faça. No tempo que lhe voltar à cabeça. Quando você achar que consegue lidar, mas não deixe nunca lá guardado.

Muitas vezes, aquilo que nos causa maiores dores e considerações mais confusas, que não sabemos de onde vieram ou como foram parar lá, é na verdade algo que simplesmente não resolvemos. Compactamos forte o suficiente para acharmos que não existe mais, mas está lá, fazendo as mesmas perguntas, hoje em dia talvez mais perguntas ainda.

Então, como num pop-up um caso antigo ressurge em meu pensamento. Como esgotá-lo? Fazendo todas as perguntas possíveis. Resolução: ser enganada não é bom. Mais atenção para os próximos romances.

Bem, não está de fato resolvido. Mas entendi agora que não está resolvido, então aos poucos vou me resolvendo. O importante é não deixar lá fingindo que passou, se não fico incapaz de passar para outra completa, íntegra, aberta e nova.

Perguntas infindas para esta nova fase. Me enchendo de argumentos para respondê-las.

sábado, 9 de abril de 2011

Amanda, a maluca!

Mesmo que sem idéia nenhuma sobre o que escrever, sinto-me na obrigação de fazer este exercício, pois hoje é o dia após a minha mudança de ciclo, meu ano enfim se inicia. E se inicia diferente, com uma Amanda que faz o que quer, zela por si própria, se coloca na frente e segue sozinha.

Quem me conhece a mais tempo pode até dizer que estou sendo redundante, mas irei confessar-lhes um segredo. Nunca gostei de andar sozinha. Sempre esperei a pessoa que deveria andar ao meu lado me ajudando a desbravar este mundão desconhecido. Mesmo que lá no fundo, sempre tentei agir pensando nas outras pessoas, pois sabia que corria um enorme risco de ser egoísta por ser filha única. Um monte de bobagens que nos contam e que nós acreditamos.

Hoje, aos 24 anos, percebo que as coisas são bem diferentes do que tentaram me mostrar sempre. Por que eu penso ser superior ou ter um pensamento muito melhor? Jamais. Mas porque interpreto e entendo o universo de acordo com a forma que aprendi a observa-lo, a entende-lo. Não é melhor que a de ninguém. É apenas a forma que melhor me cabe.

Tem gente que leva muito tempo para se aceitar, viver de acordo com o que pensa sem sofrer por muitas vezes não te compreenderem. Sempre tentei dizer a verdade, o máximo que posso, agir da melhor forma. E tem mesmo dado resultados. Hoje, depois de muito observar, percebi que as pessoas mais admiradas e queridas são as mais éticas e amáveis. Há que se ter não só muita coragem para ser o que é, mas doçura para ajudar quem não entende a entender que há espaço para todos neste universo imenso. Que eu ser da forma que sou não atrapalha a sua vida, a sua forma de ser. Talvez te faça ter certos pensamentos não confortáveis, mas todos superamos. E pensar algo novo é sempre uma delícia, mesmo algo que não entendamos. Receber ajuda com amor acaba fazendo com que as pessoas entendam melhor.

Então, as características que quero que todos reconheçam de longe são essas, alguém autêntica, ética, doce, apaixonada. Hoje, começando um ciclo novo, resolvi que esta sou eu. Em mutação sempre, mas a essência é essa mesma. Não vou me esconder, não vou adequar, não vou me acovardar e continuarei vivendo apaixonadamente tudo o que eu achar que devo. Prazer. Sou mesmo uma maluca, como até a Maria Flor já entendeu. Mas uma maluca necessária, e que faz bem. Não tenham medo. Entrem e fiquem à vontade.

"Bambeia, cambaleia...
é Dura na Queda,
custa a cair em si.
Largou família, bebeu veneno
e vai morrer de rir..."

Dura na Queda - Chico Buarque