A praia estava lotada, como sempre. Mesmo num dia nublado, com chuviscos e maré alta, melhor estar lá e provar que nada impede pessoas obstinadas que o enclausuro da casa. Nós (lê-se eu e maridas Lígia e Paula) estávamos munidas de um violão, cangas, água. Logo que chegamos atravessamos o rio, nos montamos numa pedra por lá e começamos a tocar violão, cantar, dançar, usar nossos corpos como instrumentos.
O rio então começou a subir e, embora muitas pessoas até quisessem atravessá-lo, a combinação de água extremamente gelada e alta, acabava por fazê-los desistir. Enquanto isso nós três continuávamos a cantar, tocar, dançar, viver em nossas artes, nossas expressões. Alguns olhavam, alguns dançavam, a maioria sorria. E nós lá, alheias ao resto apenas vivíamos intensamente.
Do outro lado do rio me senti segura, bonita, capaz e mais que isso, me senti pronta. Não só porque as pessoas do outro lado sorriam, mas porque as pessoas que estavam ali comigo me faziam sentir isso. Não há nada mais importante que ter as pessoas certas pra ajudar na caminhada. E quando encontramos pessoas assim, que além de estarem presentes na vida estão na arte, há que se comemorar. Hoje, eu cantei, dancei e agradeci aos mares. Agradeci imensamente. Axé.