segunda-feira, 7 de março de 2011

Do outro lado do rio.

É verdade que se expor, colocar as palavras de uma forma não só que as pessoas entendam, mas que se encantem também, não é fácil nem tão pouco mecânico. Há que se munir de muitas palavras e idéias antes de expô-las, é necessário criar um método, uma forma de pensar, de escrever e então trazê-las ao mundo seja em forma de canção, de poesia, de atuação, de pintura. Seja como for, o artista se coloca em sua arte e por isso tanta procura sobre si próprio, sobre o outro, sobre os sentimentos, ações.

A praia estava lotada, como sempre. Mesmo num dia nublado, com chuviscos e maré alta, melhor estar lá e provar que nada impede pessoas obstinadas que o enclausuro da casa. Nós (lê-se eu e maridas Lígia e Paula) estávamos munidas de um violão, cangas, água. Logo que chegamos atravessamos o rio, nos montamos numa pedra por lá e começamos a tocar violão, cantar, dançar, usar nossos corpos como instrumentos.

O rio então começou a subir e, embora muitas pessoas até quisessem atravessá-lo, a combinação de água extremamente gelada e alta, acabava por fazê-los desistir. Enquanto isso nós três continuávamos a cantar, tocar, dançar, viver em nossas artes, nossas expressões. Alguns olhavam, alguns dançavam, a maioria sorria. E nós lá, alheias ao resto apenas vivíamos intensamente.

Do outro lado do rio me senti segura, bonita, capaz e mais que isso, me senti pronta. Não só porque as pessoas do outro lado sorriam, mas porque as pessoas que estavam ali comigo me faziam sentir isso. Não há nada mais importante que ter as pessoas certas pra ajudar na caminhada. E quando encontramos pessoas assim, que além de estarem presentes na vida estão na arte, há que se comemorar. Hoje, eu cantei, dancei e agradeci aos mares. Agradeci imensamente. Axé.

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