segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Pague meu dinheiro e vista sua roupa...

Ainda não tive coragem de cobrar, mas hoje, era exatamente isto que eu deveria ter feito. Cenário assustador, ambiente familiar. Foi tudo tão rápido. Acho que ambos tínhamos muita certeza sobre o porque de estarmos ali, quanto antes então melhor. O sexo em si não foi dos piores, o que me fez voltar pelo caminho sentindo asco daquele gosto e daquele cheiro não havia sido nada físico. O discurso "não quero pagar trezentos reais no ingresso e sentar ao lado de uma família de pessoas mais humildes" é que me deu tanto nojo que eu queria vomitar apenas.



Engraçado. Já estive com pessoas que pensavam diversas coisas, mas uma coisa como essas ser tão aparente assim, um discurso tão jovem petulante nariz enpinado arrogante sabe tudo psiquiatra insensível, técnico de máquinas humanas! O encontro de hoje teve proporções em minha vida muito maiores que eu poderia imaginar...



Pior isso... um técnico de máquinas humanas. Mais um. "Acho bonito como vocês das humanas gostam de militar! Levantar a bandeira!". Ah... quanta superficialidade sobre uma opinião isolada de um assunto isolado.



"Little boxes, making of tick tack. Little boxes,little boxes, littles boxes, all the same!"

Sempre tentanto colocar tudo em caixas, já me enquadrou naquela que tem ideais, que tem seu discurso e luta por ele e é hipócrita por outro lado... Poxa... que bom que já entendeu tudo isso nos quinze minutos que estamos conversando. Era pra eu sentir vergonha por pensar? Por me incomodar o bastante para não assistir o que não me sinto à vontade? Acho que na verdade o incômodo partiu por eu não pensar como ele e alguns bons porcento da sociedade. Me desculpe então!



Me senti tão pequena tendo dividido mesmo apenas que sexo, mesmo que só por necessidade física. Se a conversa tivesse sido antes eu não teria passado mais que alguns instantes e entendido que não valia a pena, porque antes uma boa foda com o dedo que uma indigestão pós sexo como esta.



Este ano está sendo um filha da puta de acontecimentos extremamente humanos. Se por um lado eu desencanei das aulas, por outro vivi intensamente os conceitos que tenho que levar para as matérias. Humano... vivendo intensamente e com encontros inesperadamente deliciosos.

Hoje sai realmente estarrecida pela minha pouca capacidade de julgamento quando o assunto é sexo, e minha necessidade dele. Se por um lado sai satisfeita, por outro sai frustrada, nervosa, enojada... e pior, fazendo como ele, colocando-o na gavetinha de ser insuportável sem dar ao menos outra chance. Mas quer saber? Somos movidos por nossos desejos e anseios, somos seres egoístas e é isso que nos faz sobreviver, não é?



Mas embora este encontro tenha sido aparentemente desastroso, foi um verdadeiro achado riquíssimo em aprendizado de diversos angulos. Quanto a cobrar, hoje quando peguei minhas coisas indignada e sai entendi definitivamente que minha liberdade é algo que dinheiro algum pode comprar. Sério, façam seus preços. Sou jovem, inconsequente e estúpida! Sou dona da minha arrogância. Vivo o agora. Ora, que honra afinal.

Um comentário:

  1. é... às vezes a gente se frustra, u nem isso, apenas se assusta com o quanto ainda há nesse mundo a se desvendar, emoções novas, novas idéias que a gente achava que não existiam amis, ou existiram muito tempo atrás...

    esses dias passei por uma situação muito desagradável, e me peguei a pensar que a gente mede o mundo com uma régua distorcida: vivemos numa realidade fora da realidade, universitários das "humanas", classe média remediada, na área central de uma megalópole como Sâo Paulo. e nos chocamos quando, por acaso, saimos um pouco da rota e nos esbarramos com o diferente, o impensável, o repugnante, o escroto, o hipócrita...

    que mundo é o nosso, afina?

    às vezes me pego me perguntando isso...

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