Quando tinha 16 anos e comecei a trabalhar na Funarte, conheci o novo coordenador da recém criada coordenadoria do circo da Funarte, Hugo Possolo. Homem sério, cumprimentava sempre com simpatia, carregava umas risadas junto com ele, mas sempre o via sério.
Um dia ele convidou a todos para uma estréia do grupo, fui na minha inocência da época sem nem saber quem eram os Parlapatões. Eu não estava preparada para o que estava por vir. Literalmente não estava preparada, porque cheguei atrasada, tomando um refri, ri que nem uma condenada do "Sardanapalo" e comecei a ficar louca de vontade de ir ao banheiro, mas me segurei, porque era impensável perder qualquer piada que fosse. E então me tornei fã. Ia assistindo aos espetáculos e sempre reparava que eles possuem uma estrutura, um cuidado, uma maneira de apresentação muito séria, embora fosse tudo pra fazer rir.
E pensei lá atrás "um dia vou estar lá dentro para entender qual é a dos caras". E agora já faz um ano que meu sonho se realiza dia a dia, e é exatamente como eu sempre achei que fosse, nada diferente. Muito trabalho, muitas responsabilidades. O resultado que chega pro público é sempre incrível, o melhor que aquelas pessoas poderiam fazer. Tudo caminha numa velocidade incrível, é preciso que seja assim. E quando eu via aquelas produções tão bem realizadas e desejava estar dentro delas eu tinha plena consciência do trabalho que seria, da loucura, da alegria e divertimento de trabalhar com palhacinhos. Tudo! Como foi quando estivemos no Festival de Curitiba.
Sempre foi meu sonho ir para o Festival e sempre soube que seria com os Parlapatões. Do jeito que imaginei: ingressos esgotados uma semana antes da apresentação num teatro de 700 lugares, encontros com vários grupos e pessoas legais nos restaurantes, no hotel... Pessoas saindo felicíssimas dos espetáculos, conhecer alguém inesperado na cidade e me apaixonar (cenas do próximo capítulo...rs...). Enfim, tudo perfeito, e tem sido nos parlapas desde que entrei lá. Pessoas muito queridas, aprendizado dia a dia por essas pessoas tão generosas.
Ah, e o moço sério continua cumprimentando com simpatia. É chamado de palhaço bronquinha, carinhosamente. É muito mais engraçado que parece, é muito sério porque não aceita qualquer coisa para o público, quer fazer e dar o melhor. Homem de muita visão, muito foco. Obrigada a todos. Feliz ano 1 de Parlapatões para nós.
Incrivel a seriedade e a qualidade do que o grupo oferece, me tornei fã, do grupo sou uma fã nova, e sua sou uma fã antiga e eterna, pois o seu trabalho também é incrivel.
ResponderExcluirAMO.